O "ESTADO DE SER" OBSERVADOR: CONSCI~ENCIA, LIBERDADE E RESPONSABILIDADE CIDADÃ

 


Precisamos aprofundar sobre um ponto essencial na formação da Consciência Reflexiva Criadora: NEUTRALIDADE POLÍTICA NÃO É ALIENAÇÃO.

Para tanto é necessário compreender os interesses que estão em jogo antes de aderir a uma narrativa, defender uma posição ou tomar uma decisão política.


Podemos desenvolver essa ideia a partir de três dimensões.

Os três níveis de interesses na esfera política

1. Interesses pessoais

São aqueles relacionados às necessidades, aos desejos, às ambições e aos benefícios individuais. Não são necessariamente negativos. O problema surge quando interesses pessoais se sobrepõem à ética, à responsabilidade pública e às necessidades dos demais.

2. Interesses partidários

Estão relacionados à manutenção ou à conquista do poder, à defesa de projetos políticos e à expansão da influência de determinados grupos. Esses interesses podem coincidir com necessidades coletivas, mas não devemos presumir que isso aconteça automaticamente. Precisamos investigar propostas, ações, consequências e resultados.

3. Interesses coletivos

Referem-se às necessidades da sociedade, aos direitos, à qualidade de vida, à justiça social, à educação, à saúde, à segurança, à preservação ambiental e às condições necessárias para que todos possam viver com dignidade.

Essas três dimensões podem se complementar, mas também podem entrar em conflito.

O exercício da consciência reflexiva e criadora consiste justamente em investigar essas relações, sem presumir que tudo o que é apresentado como interesse coletivo realmente beneficie a coletividade.

O que isso tem a ver com a neutralidade?

Ao nos colocarmos no "estado de ser" observador, podemos deixar de perguntar apenas: “De qual lado essa o aquela pessoa está?”

E começar a perguntar:
  • Quais interesses estão sendo defendidos?
  • Quem se beneficia dessa decisão?
  • Quem poderá sofrer suas consequências?
  • O discurso corresponde às ações?
  • O que está sendo apresentado como interesse coletivo atende, de fato, às necessidades da população?
  • Estou escolhendo com autonomia ou sendo conduzido pelo medo, pela indignação, pela identificação partidária ou pela necessidade de pertencer a um grupo?
Essas perguntas deslocam nossa atenção da disputa entre personagens políticos para a investigação dos interesses e das consequências de suas ações.

E há um detalhe fundamental: não devemos presumir que todo interesse partidário seja contrário ao interesse coletivo, nem que todo discurso em nome do povo seja realmente comprometido com ele. É necessário examinar cada situação.

A neutralidade consciente não significa suspender nossos valores. Significa suspender, por um momento, nossas reações automáticas para investigar a realidade com mais lucidez.

A partir daí, podemos escolher, inclusive nos posicionar firmemente quando necessário, sem nos tornarmos reféns da polarização.

Talvez a pergunta central da nossa reflexão seja: Estou defendendo uma ideia porque investiguei sua contribuição para o bem comum ou porque me identifiquei com quem a apresenta?

Essa pergunta nos conduz a uma dimensão mais profunda da cidadania: a passagem da consciência manipulável para a consciência reflexiva, crítica, autônoma e comprometida com a vida.

Por Ana Maria Louzada
Mestre em Educação pela UFES, Orientadora Educacional, Educadora Espiritual, Mentora Parental, Escritora, Palestrante e Apaixonada pela Vida.

Confira o artigo publicado em EDUCAÇÃO: DIÁLOGO E CIDADANIA



CONHEÇA NOSSOS LIVROS

Comentários

Postagens mais visitadas

Passaram por aqui!